quarta-feira, 13 de agosto de 2014

" Fazedor de Velhos "

                            A Idade dos Livros

       O protagonista e a irmã na última semana de férias viajaram para São Paulo visitar um primo paulista e passar uns dias na fazenda de um amigo dele.
      Pedro tinha preguiça mental, adorava jogar futebol, ir ao Maracanã torcer para o Flamengo e ir à praia pegar jacaré .Não namorava ninguém.
     Na hora do embarque,a irmã mais velha não precisou de autorização, apresentou a carteira de identidade e recebeu o cartão de embarque, mas Pedro foi impedido de embarcar pois sua autorização do juizado de menores estava vencido há dois dias. Pedro tinha inveja de sua irmã,  queria crescer mais rápido, ela era para ele quase a “sósia” do monstrengo de Fernando Pessoa.
       Ficou humilhado e com ódio da irmã por tratá-lo como criança dando um beijo na testa ao se despedir na hora do embarque.
       Não tinha celular nem o telefone da onde estavam os pais. Quase chorando percebeu que estava sendo observado por um velho barbudo e mal encarado. Engoliu o choro e voltou para casa revoltado procurando algo para se distrair. Bateu o olho no livro bem grosso de Shakespeare contendo as obras completas em inglês, que ganhara do pai porém não falava inglês arcaico, sendo assim não conseguiu ler, mas foi a melhor ideia para se passar  por mais velho,  além disso vestiu calça ,terno ,gravata ,óculos de armação, e o melhor de tudo levou o  livro. 
      Retornou ao aeroporto enganando a mesma mulher que o impedira anteriormente de embarcar. Eufórico e alegre, conseguiu ter a liberação,  mas antes encontrou com o velho que o reconheceu dizendo ter sido uma boa ideia.
      Esse velho era estranho usando um figurino exótico e impróprio para o clima do Rio de Janeiro, bem cuidado mais parecia um leitor de mentes descobrindo o segredo de Pedro dizendo que o livro fora o que realmente o envelheceu recomendando ler aquela obra.
         Seu pai, Dr. Luciano era um advogado bem sucedido, magro, muito penteado e até dormia de camisa social. Embora fosse muito divertido era muito sério com ele mesmo e muito correto. Tinha postura ética. Encontrava tempo de ler uma vasta quantidade de obras literárias. Os de Eça de Queiroz eram os preferidos.
       A mãe Alice era bonita, legal, meio mandona e mais brava que o pai. Era professora de literatura em uma universidade. Passava mais tempo com os filhos obrigando-os a ler.



Um comentário:

  1. Milena, você percebeu que Nabuco já o examinava antes mesmo de conhecê-lo melhor? O professor estava admirando a atitude de Pedro. As atitudes ficam para sempre e Pedro estava no caminho certo....

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